
Quem acompanha o universo dos peptídeos sabe que a semaglutida — o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — é hoje um dos nomes mais comentados do mercado, tanto pelo uso aprovado no controle do diabetes tipo 2 quanto pela popularidade recente ligada à perda de peso. E o cenário no Brasil está prestes a mudar de forma significativa: depois de o Superior Tribunal de Justiça manter o entendimento de que a patente da semaglutida vence em 20 de março de 2026, o caminho está aberto para a chegada de versões genéricas e biossimilares no país.
O que a decisão do STJ definiu
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, detentora da patente original, tentou estender a proteção até 2038, argumentando atraso na análise regulatória. O STJ rejeitou o pedido por unanimidade, entendendo que o prazo de 20 anos de patente conta a partir do momento em que o pedido foi submetido para análise — não a partir da concessão final do registro. Na prática, isso mantém a data de expiração em março deste ano, liberando o caminho legal para concorrentes entrarem no mercado brasileiro.
O que já está em análise na Anvisa
Segundo atualização divulgada pela própria Anvisa, existem hoje oito processos em análise para novos medicamentos com o mesmo princípio ativo do Ozempic — sete de origem sintética e um de origem biológica. Além desses, outros nove produtos aguardam o início da análise técnica pelas áreas responsáveis da agência. É um volume relevante de pedidos, sinal claro de que várias empresas farmacêuticas já vinham se preparando havia tempo para entrar nesse mercado assim que a patente caísse.
Por que isso deve dobrar o mercado
Analistas do setor estimam que o segmento de medicamentos à base de semaglutida no Brasil pode dobrar de tamanho em 2026, chegando à casa dos R$ 20 bilhões — um salto puxado por dois efeitos combinados: a entrada de genéricos e biossimilares tende a reduzir o preço médio pago pelo consumidor, e a redução de preço, por sua vez, amplia o número de pessoas com acesso ao tratamento, que hoje ainda é considerado caro para boa parte da população brasileira mesmo com a demanda crescente.
O que isso significa pra quem acompanha o tema
Pra quem já usa ou considera usar semaglutida — seja pelo diabetes, seja pela indicação mais recente ligada ao controle de peso —, a expectativa é de mais opções no mercado e, com o tempo, preço mais acessível. Isso não muda o que já se sabe sobre o medicamento: é uma substância que exige acompanhamento médico, com efeitos colaterais documentados e protocolo de uso que deve ser individualizado por um profissional de saúde, nunca por conta própria com base em relato de terceiros.
O que observar
Vale acompanhar o ritmo de aprovação dos oito processos já em análise na Anvisa e se os primeiros genéricos ou biossimilares efetivamente chegam às farmácias ainda em 2026, ou se o processo regulatório se estende para 2027. Também é importante observar como o mercado paralelo e informal de peptídeos reage a essa mudança — historicamente, a entrada de opções regulamentadas mais baratas tende a reduzir o apelo de canais irregulares de venda. Este conteúdo é informativo, não é recomendação médica — o uso de semaglutida ou qualquer peptídeo relacionado deve ser sempre acompanhado por um profissional de saúde.